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Seguindo na contramão......porque o importante mesmo é não ficar parado.
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Sete anos depois, mais uma grande perda, e um grande ganho.Sete anos depois, mais uma grande perda, e um grande ganho.
“Os jovens precisam assumir sua atuação na sociedade, oferecendo a contribuição do idealismo e a riqueza da esperança.” D. Luciano Mendes
Desde pequeno tive a curiosidade de saber se havia dentre os santos e santas de nossa igreja um santo com o nome de Luciano. Procurei em inúmeros livros que descreviam a vida de homens e mulheres que até hoje servem de exemplo de fé, de esperança e de caridade. Afinal quem nunca procurou um santo com o mesmo nome que o seu? Anos depois, quando minha vivência na paróquia me levou à Pastoral da Juventude. E nela, ao tomar conhecimento dos posicionamentos da nossa Igreja sempre tivera uma figura que me chamou a atenção. Dom Luciano Mendes. Para minha surpresa havia um grande bispo brasileiro que era meu “xará”. Conforme fui aprofundando meus estudos de pastoral, da história recente do Brasil, lá estava essa figura que, ao lado de D. Paulo, D. Angélico e de muitos padres e leigos dessa arquidiocese modificaram radicalmente na forma de se fazer pastoral em nossa cidade. Eu, que sempre quis ver um santo com meu nome, com muita alegria me acostumei a ver um profeta. Profeta Luciano Mendes de Almeida. Ontem D. Luciano nos deixou. Foi, ao lado de tantos santos e mártires, reforçar o time lá de cima. Depois de sete anos, somos obrigados a conviver com mais uma ausência. Há sete anos atrás, D. Hélder Câmara, nos deixara. Ontem D. Luciano Mendes. Duas ausências incomparáveis. Perdemos dois grandes profetas em nosso meio, mas ganhamos dois grandes exemplos de vida na história, dois exemplos que nos mostra que a vida é um caminho, e que todo o caminho tem espinhos mas também têm flores. Que o exemplo dos dois continue sendo semente para a nossa caminhada, rumando, pela contramão do sistema, rumo à construção do Reino, Rumo à Civilização do Amor.
Luciano Garcia Resende 28/08/2006 Mais um ano PT!! - Um operário na festa de seu partidoMais um ano PT!! Um operário na festa de seu partido
Hoje é aniversário do PT. A ferramenta construída pela classe trabalhadora pós-ditadura completa 26 anos - ainda em processo de recuperação da maior crise de sua história. Toda festa de aniversário é sempre assim: junta-se parentes e amigos e, durante a festa, se recorda a história vivida, contam-se “causos”, relembra-se os erros e acertos do passado, projeta-se um futuro glorioso, e aguarda-se o recebimento dos presentes trazidos pelos convidados.
Entro no local da festa, vejo muitos convidados, uns famosos, outros nem tanto. Conversas de um lado, risos de outro. Passo por um canto e vejo algumas pessoas conversando, olho para outro e vejo outras contando histórias. Histórias de movimentos de resistência, histórias de revoltas, histórias de tentativas de tomada do poder pelos “de baixo”...
Para quebrar a timidez resolvo tomar algo forte. Sigo em direção à mesa das bebidas em busca de uma boa cachaça. Sabe como é. Operário gosta mesmo é de tomar cachaça. Ao chegar à mesa a cachaça não tem, muito pelo contrário, encontro vinhos requintados, whisky´s importados, champagne francesa... num cantinho um isopor com cerveja gelada. Ainda bem. Pego uma e sigo para um canto do salão.
Encosto num canto do salão e começo a lembrar de algumas histórias vividas, não por mim, mas por uma série de pessoas que desejavam mudanças sociais - é impossível num momento como este não se recordar de algumas histórias. Enquanto participo da festa, tomo minha cerveja e vejo o aniversariante ansioso na espera de um grande presente, me vem à lembrança algumas histórias daquelas que aprendemos na escola: de nosso processo de independência, onde a “ruptura” com Portugal é feita pelo príncipe português que assume como imperador; me lembro de quando este imperador resolve ir embora para Portugal deixa o país na mão de regentes até que seu filho de 5 anos tivesse idade para assumir como imperador; e do fim da monarquia e a proclamação da república que foi feita por um golpe de estado pelo marechal Deodoro...
O relembrar da história me deixa triste. Resolvo tomar outra cerveja. Saio do meu canto e caminho em direção à mesa das bebidas recordando de outros momentos marcantes da história do Brasil: os governos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, da República Café com Leite, a “revolução de 30”, o Estado Novo, O Golpe Militar de 64, e Colégio Eleitoral... e percebo, que sempre que há um leve desejo de mudanças vindas de “baixo pra cima” a classe dominante brasileira faz seu acordo “por cima” para que não exista uma ruptura.
Volto ao meu canto e ao tomar minha segunda cerveja começo a me recordar da década de 80. Com o fim da ditadura, a volta de militantes do exílio, das aspirações de mudança da classe operária, dos movimentos sociais, e da igreja progressista e como tudo isso foi canalizada para a construção de um partido que seria a ferramenta pela qual, pela primeira vez, milhões de brasileiros pudessem intervir na vida social e política do país e transforma-la. Com os olhos mareados relembro do surgimento do Partido dos Trabalhadores. Um partido que nasceu da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e partidos comprometidos com a manutenção da ordem econômica, social e política. Um partido que atuaria não apenas nos momentos de eleições, mas, principalmente, no dia-a-dia de todos os trabalhadores, pois só assim seria possível construir uma nova forma de democracia, cujas raízes estejam nas organizações de base da sociedade e cujas decisões sejam tomadas pelas maiorias. Um partido que efetivamente organizaria a mudança a partir de suas bases sociais, dos “de baixo. Como afirma naquele trecho do Manifesto de Fundação do partido, que de tão belo, acabei decorando: “O PT afirma seu compromisso com a democracia plena e exercida diretamente pelas massas. Neste sentido proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas”.
Essa história do início do PT me deixa mais animado. Enquanto “enxugo a lata” me recordo que aos vinte e dois anos de idade ganhamos de presente a responsabilidade de governar o maior país da América Latina, um país que trazia como herança 500 anos de dominação e opressão, os anos de blindagem neoliberal, um mundo não mais polarizado entre socialistas e capitalistas... Mesmo com essas dificuldades obtivemos o apoio de 53 milhões de eleitores e da maioria absoluta de movimentos sociais. Todo esse clima faz com que nosso presidente eleito, em seu primeiro discurso, diz que seu governo seria de mudanças. Resolvo pegar outra cerveja para comemorar esta lembrança.
Saio do meu lugar e rumo à mesa para buscar outra cerveja. Ao atravessar o salão de festas rumo à mesa com as bebidas passo por personalidades que estiveram no governo e a presença deles me traz as recordações do início do governo até os dias de hoje, de como a reforma da previdência e tributária, prejudicaram os trabalhadores, criaram problemas internos no partido, mas que serviram para que o governo conquistasse uma “credibilidade” junto ao capital; de como os resultados da política macroeconômica contrariaram as resoluções do XII Encontro Nacional do PT só para garantir confiabilidade internacional; de como as políticas sociais e a reforma agrária fracassaram; de como o governo priorizou sua relação com o parlamento e não com os movimentos sociais; de como o governo havia acreditado que a direita brasileira estava “enamorada” de nosso projeto de governo; de como confiamos mais nos partidos da direita do que nos movimentos sociais e populares, e de como a direita que nos “apoiava” no governo se utilizou de nossas falhas para nos impor uma derrota... só uma geladinha pra rebater a raiva que essas lembranças me trazem.
Vou tomando minha cerveja e, ainda com muita raiva, vou recordando que a nossa festa de 25 anos foi estragada por uma crise, por uma crise ética, moral e sobretudo política. Que a mudança de rumos almejada por muitos militantes socialistas não foi efetivada. Que o processo de eleições internas se assemelhou ao processo democrático burguês onde o voto é comprado, o eleitor tratado como gado e o debate político esquecido. Começo a suar frio. As batidas do coração aumentam, uma taquicardia aponta. Vou tomando minha cerveja de forma mais rápida, e, gole a gole tento afogar essas lembranças.
Após tantos momentos de animação, aflição, euforia, angústia, marcando tantas idas e vindas na conjuntura da história, e dessa festa, sinto-me dialeticamente alto de tanta cerveja –que subiu em forma de espiral, mesmo assim, ainda tenho duas percepções: uma de que uma parte significativa de convidados está esperando um convidado em especial, e que este prometera ao aniversariante um grande presente neste ano; e outra que, independentemente do presente – talvez de grego - que tenha prometido esse convidado, muito trabalho nos espera esse ano. Temos muitos debates pra fazer nas cidades, no campo, nas periferias, nas fábricas, escolas, faculdades... mas acima de tudo, temos uma classe para operária para organizar. Então levanto-me do meu canto e resolvo ir me preparar para a batalha a ser travada esse ano.
Mas antes de ir embora resolvo pegar minha última cerveja – a “saideira”. Ao me aproximar da mesa das bebidas vejo um grupo de “notáveis” dirigentes conversando. Ao perceber a empolgação da conversa, não me contenho e aproximo para ouvir o “papo” me “antenando” na conversa:
- Sabemos que atrair o PMDB não será tarefa fácil. Mas é nossa prioridade. O partido é importante não apenas para a aliança da chapa de Lula, mas principalmente para a governabilidade[1].
Um outro responde: - Vamos fazer de tudo para ter o PMDB ao nosso lado[2].
Outro convidado, de forma mais eufórica retruca: - A retomada da popularidade de Lula vai atrair os partidos. A possibilidade de vitória deve empolgar os aliados[3]
Do jeito que me aproximo eu saio. E fico pensando se seria esse mais um convidado para a festa. Se for esse o convidado tão especial, fico a imaginar se há, de fato, a possibilidade dele nos garantir nosso presente desse ano. Bom, sigo o que estava fazendo, abro minha cerveja e o barulho do gás liberado pelo lacre da lata, parece anunciar o slogan oficial da festa, que eu vejo num cartaz na minha frente: PT 26 anos – a volta “por cima”.
[1] Reprodução de fala do Dep. Ricardo Berzoini –presidente nacional do PT - ao jornal “O Globo” de 06/02/2006. [2] Reprodução de fala do Sem. Aloizio Mercadante ao jornal “O Globo” de 06/02/2006. [3] Reprodução de fala do Min. Jaques Wagner ao jornal “O Globo” de 06/02/2006.
Sobre as sementes e a possibilidade da árvore
Um camponês saiu para semear sua futura plantação. Enquanto jogava suas sementes não-transgênicas, uma parte delas caiu pelo caminho e vieram os pássaros e as comeram. Uma parte das sementes jogadas caiu em solo pedregoso, com isso as plantas nasceram logo e sem possibilidade de criar raízes profundas foram queimadas pelo sol. Outra parte pequena das sementes foi jogada entre espinhos e ervas daninhas e estes cresceram muito e sufocaram as pequenas plantas que estavam nascendo. Outra parte caiu em terra muito boa, a plantação foi melhor ainda e a colheita excepcional. Essa passagem bíblica tem muito a nos ensinar no atual momento político brasileiro. Não digo quanto às denuncias de corrupção, mas às perspectivas da esquerda brasileira e principalmente da dita esquerda do PT. Muitos dos que estão no PT, em todos os campos, ameaçam, dentro desse complicado momento político a sair do partido. Uns já estão a meses com data marcada para sair. Outros estão como matemáticos-contabilistas fazendo seus cálculos eleitorais para saber se ficam - caso consigam manter seu mandato dentro do PT, ou se saem - buscando uma legenda de forma que garantisse seus mandatos ano que vem. Há uma parte dos militantes que não sairiam do partido, porém a vontade de “ir para casa” e abandonar a militância perpassa pelo pensamento deles. Mas há também aqueles militantes que, fora do PT, em outros partidos, ficam disputando a militância petista; aproveitando toda informação – verídica ou não, para ampliar seus quadros partidários. A simbologia da semente é sempre muito enigmática. Porque uma semente é o resultado de algo que nasceu, cresceu, deu frutos e dos frutos novamente à semente, que sendo enterrada morre, para renascer - ressuscitar novamente numa outra planta e recomeçar o ciclo. Talvez esteja aqui a proposta que muitos apresentam e outros ainda escondem. De enterrar o partido de esquerda que temos para fazer renascer uma outra proposta ao povo brasileiro. Para uma semente dar certo ela depende de inúmeras condições climáticas e da pontaria de quem a joga. Uma semente, quando é jogada, dependendo da pontaria e da força do vento pode cair onde não queremos e ressurgir onde não vingaria. Temos entre nós muitas sementes querendo se tornar plantas e muitas plantas querendo tornar-se frondosas árvores. Sem contar o clima que pode esquentar mais ainda. Uma nova proposta pode vir a cair em terreno pedregoso, e nascer um partido sem que este tenha sua raiz aprofundada em meio ao povo e terá sua proposta logo-logo “queimada”. Outras novas propostas podem vir a cair em meio a “espinhos”, “ervas daninhas” e “arbustos”, nesse caso correm o risco de ser sufocadas pela ideologia gelatinosa e pouco consistente presente nos tantos partidos brasileiros – de esquerda ou não, ou até de ser apenas um entre tantos arbustos insignificantes. Mas há um terreno fértil a se buscar. Muitos chegarão a dizer que é justamente o que estão fazendo. Pode até ser. Mas pode ser também o punhado de sementes caídas ao meio do caminho. Nesse caso somente serviremos de alimento às aves (tucanos de rapina?). Mas podemos também tentar caminhar em sentido contrário ao que a esquerda tem se acostumado. Ao invés do dissenso, o consenso. Ao invés da desunião a união. Ao invés de divergir com base no que nos diferencia convergir sobre a classe que nos une. Somente assim podemos chegar ao lugar da lavoura. Os frutos? Podem vir a ser muitos. Um recorde de safra? Vai depender de todas as condições climáticas. O que não podemos é correr o risco de ver as sementes ressuscitando mortas. Sei que para muitos pode parecer ridículo comparar uma passagem bíblica como a “parábola do semeador” com o momento político atual, e as perspectivas para a esquerda no Brasil, mas como seguir padrões não é minha preocupação e muitos ainda preferem ficar parados vou caminhando e, Seguindo na Contramão.
Luciano Garcia A Regra é clara – a torcida tem que entrar em campo.Parece jogo de futebol. Uma rivalidade mais forte que Brasil e Argentina. O jogo é como uma final de Copa do Mundo pela sua importância. Nosso time entrou em campo sempre jogando aquém de suas possibilidades. Algumas vezes jogou muito bem e ganhou momentaneamente; noutras, perdeu espaço em campo, deixou-se abater e levou alguns gols. Mas, dessa vez parecia diferente. A torcida estava a nosso favor. Nunca se teve tanta esperança numa virada de placar. Agora eram nosso time, mais 53 milhões de torcedores. Muitos desses torcedores são daqueles que, se bobear, entram em campo, xingam o juiz, brigam com o bandeirinha, tumultuam... fazem de tudo para garantir um placar que nos é favorável. Porque torcida que não está confiante torce contra. E é muito importante ter a torcida não só torcendo a favor, mas entrando em campo e jogando ao nosso lado. Porque a torcida sempre depende do nosso esporte. Nosso time havia colocado um dos principais jogadores em campo numa posição tática muito importante. Era como um lateral que chegando em linha de fundo bastava tocar a bola para trás para se aproximar um atacante, um meio-campo, um zagueiro, um juiz, um torcedor... qualquer um desses se tivesse espaço e oportunidade de chutar a bola pra dentro estou certo que fazia. E, quem sabe, com mais algumas jogadas viraríamos esse o jogo a nosso favor. Mas nosso principal jogador foi “fominha”. Até que jogava bem. Mas poucas vezes rolava a bola para jogadores com mais explosão. A torcida que estava louca para entrar em campo, foi mantida na arquibancada –não como um 12º jogador, mas como uma simples expectadora. Nossas jogadas que pouco-a-pouco ficavam menos criativas, menos explosivas, ficavam menos jogadas de um time. Tanto, que algumas jogadas foram feitas com auxílio de jogadores do outro time. Não porque esses passaram a jogar do nosso lado, mas porque perceberam que nosso time não apresentaria mais perigo porque resolveu deixar a torcida na arquibancada. O outro time se fazia de morto e guardaram energia para o contra-ataque. E, como sabemos, no futebol uma regra é clara: quem não faz... toma! E foi justamente isso que aconteceu. O contra-ataque foi fortíssimo. Numa só jogada driblaram nossos principais jogadores, contundiram o capitão do time, e fizeram um golaço. E depois de um golaço sabemos como é: time fica desnorteado, reclamando, falando mal do outro time, prometendo vazias de reação... até o capitão que saíra contundido diz que vai auxiliar nosso time. No lugar do capitão contundido, entrará um jovem jogador de 25 anos, e este ajudará nosso time no contra-ataque. Enquanto a torcida adversária comemora e o juiz não reinicia a partida. Algumas perguntas vêm à cabeça: Será que a promessa de reação será somente em busca do empate ou se tentará virada? Será que a nosso principal jogador distribuirá melhor a bola para outros jogadores menos testados? Será que essa virada se dará antes do tempo acabar, ou se vai esperar o outro tempo? Será que para tal reação nossa torcida será chamada em campo? Porque é assim essa rivalidade entre esquerda e direita no esporte da política, ou você trás a torcida a para dentro do campo, compreendendo que deve-se virar a partida, ou fatalmente perderá o jogo. Não podemos mais tentar fazer nossos gols com um time jogando só pelo centro, centro-direita ou pela direita. Podemos até fazer algumas jogadinhas bonitinhas por essa parte do campo mas, só jogadinhas bonitinhas não garantem vitória alguma. No máximo, conquistaremos um empate muito doloroso para a nossa torcida. Um time de canhotos não joga bem pelo centro e muito menos pela direita. Um time de canhotos tem que jogar pela esquerda. Contando mais com os jogadores que estavam em campo só pra defender o time e aproveitando muito a presença da torcida. Não podemos esquecer: só entramos nesse jogo pela torcida. Por isso, temos que por a torcida em campo. Jogar com ela e a favor dela. Num momento que tomamos um gol “de placa” como esse, se queremos virar a partida, teremos ter humildade, fazer a auto-crítica, botar a bola no círculo central, e quando recomeçar a partida, mudar as jogadas. Jogar pela esquerda e tocar mais a bola para a torcida. Isso mesmo. Colocá-la em campo. E não me diga que é muito estranho ou ruim colocar a torcida em campo para jogar. Diz isso quem acostumou-se a vê-la somente como expectadora, ou que não acredita que ela que é a melhor jogadora. Eu acredito que botar a torcida em campo é mostrar que, no jogo da política, esta é a principal jogada. Porque nesse jogo deve-se sempre fazer o que geralmente não é feito e Seguir na Contramão.
Luciano Garcia 12 de Junho - Em busca da minha amadaÉ Dia dos Namorados. Todos os lugares para que se olha é gente se beijando, se abraçando, se amassando... por mais capitalista, mercadológica e consumista que seja esta data, é sempre muito ruim passar por ela sozinho. Se não me bastasse estar só num 12 de junho, encontrei uma amiga que disse que eu “não tenho mais idade de estar solteiro, que deveria arrumar alguém pra casar, e ser feliz”. Ah!... mal sabe ela que eu já tenho minha amada, e se desse eu casaria logo, não teria nem noivado. É casamento de vez. Há um tempo atrás conheci alguém que me deixou apaixonadíssimo. Sabe como é: você sai de casa, e quando menos percebe alguém chama a sua atenção. Você começa a trocar olhares, paquerar, sentir-se bem com a situação, e comigo não foi diferente, mas a paquera demorou muito, anos até. Mas aos poucos, esse cara tímido aqui, começou a se aproximar da sua paquera, disse a ela que estava gostando dela, queria conhecê-la melhor... Começamos a nos ver de vez em quando. Fui muito devagar. Demorei muito a pegar na mão dela (eu não poderia correr o risco de me precipitar, e perder a grande chance da minha vida). Fui no conselho de Martinho da Vila –devagar, devagarinho... e deu certo. Depois de muito tempo eu passei a visitar a casa dela. Um lugar muito longe da minha casa. Imagine, para ir à casa dela eu tinha que pegar ônibus, metrô, ônibus, mais um ônibus, fora a caminhada... e isso só pra ir. Cada vez que eu atravessava a cidade em busca dela eu me questionava: Vale a pena atravessar a cidade para encontra-la? Não tem nenhuma alternativa mais próxima? Vale a pena passar pela gozação dos amigos? Perder fins-de-semana e feriados, por causa dela? Quanto mais me questionava, mais ficava apaixonado, todos sabem que amar não é fácil. Essas indagações me davam a certeza de que não poderia mais viver sem ela, que ela me é muito necessária. O pior é que após perceber o quanto ela me é necessária, que eu quero estar junto dela pro resto da vida, ela foi pra longe. Fazendo-se de misteriosa, não disse quando volta, mas deixou por aí algumas pistas de como encontra-la. E para isto, eu necessito da ajuda de pessoas que estão com parte dessas pistas, e cada uma delas vive momentos diferentes nas suas vidas. Umas nem sabem que têm as pistas deixadas pela minha amada “Re...”, outras descobriram que têm as pistas, mas ainda não compreendem que elas precisam juntar suas pistas com as pistas das pessoas que ainda não perceberam. Mas felizmente tem aquelas pessoas que juntaram suas pistas com outras, e isso me dá uma pequena noção de quanto do caminho fora percorrido. Do que está porvir... só incertezas. Mas incertezas somente quanto ao que resta do caminho para encontra-la, porque do meu desejo de viver com ela por toda a vida isso eu tenho certo, e a cada dia só aumenta essa certeza. Com esses rabiscos aqui não quero surpreender aqueles que achavam que eu não tinha uma namorada. A proposta é simples: aproveitar a rede mundial de computadores para encontrar minha amada. Ah!... estava me esquecendo, eu a chamo de “Re...”, mas o nome dela é Revolução, e tem por sobrenome Socialista se alguém por aí tiver alguma pista ou notícia mande-me um e-mail... Enquanto não recebo notícias, vou caminhando em busca dela enquanto uma canção de Gonzaguinha me vem à cabeça: São coisas dessa vida tão cigana Caminhos como a linha dessa mão Vontade de chegar e olha eu chegando E vem essa cigarra no meu peito Já querendo ir cantar noutro lugar
Diga lá meu coração da alegria de rever essa menina E abraça-la, e beija-la Diga lá meu coração conte as histórias das pessoas Nas estradas dessa vida Chora essa saudade estrangulada Fale sem você não há mais nada Olhe bem nos olhos da morena E veja lá no fundo A luz daquela primavera Durma igual criança no seu colo Sinta o cheiro forte do teu solo Passe a mão nos seus cabelos negros Diga um verso bem bonito e de novo vai embora
Diga lá meu coração que ela está dentro Em meu peito e bem guardada E que é preciso Mais que nunca Prosseguir Espere por mim morena Espere que eu chego já O amor por você morena Faz a saudade me apressar (Gonzaguinha)
Seja qual for o sentido vou em busca da minha amada, pois o caminho se faz caminhando. Muitos optariam em ficar parados, eu prefiro Seguir na contramão...
Luciano Garcia Lutadores de Box ou lutatores sociais?Hoje, passando embaixo de uma passarela no centro de São Paulo, algo que eu jamais imaginara ter visto chamou minha atenção. Um senhor, negro, alto, com uma camisa com “Che Guevara” estampada, ensinando Box para crianças de rua. Tinha tudo: etseira de corrida, ringue, soco de pancada, uma geladeira pendurada para der pancadas... Parei por alguns instantes e fiquei refletindo diante daquela situação. Algumas pessoas que passavam por ali, também paravam. Umas só olhavam tentando entender, outras saíam contentes dizendo que era importante projetos desse tipo: ensinar esportes para crianças de rua, mas também tinham aquelas que passavam direto, talvez achando que não há nada mais importante no mundo do que suas próprias vidas. Por um instante mergulhei naquele senso-comum e achei também que era algo importante tirar as crianças da rua com algum esporte. Mas ao refletir mais um pouco percebi que poucas crianças de fato conseguiriam sair dessa situação, e as poucas que conseguissem seriam absorvidas por um sistema mesquinho. Sim, o mundo do Box é um mundo da alta grana. Alguns ficam ricos, outros milionários, mas podres de rico só os empresários (qualquer semelhança com o futebol é mera verdade) os lutadores ficam podres de doenças –muitas delas por conta das pancadas na cabeça. Diante da conjuntura de nosso país qualquer fato como esse merece respeito. Mas eu pergunto do que precisamos mais? Lutadores de Box ou lutadores sociais? Respeito a vontade de um ex lutador de Box que resolveu acordar cedo todos os dias para ensinar crianças de rua, mas me admira muito a capacidade do MST em organizar aqueles que na teoria marxista até hoje acreditavam ser impossível de se organizar a população de rua. Esse sim é um belo exemplo. Felizmente isso não é bem visto pela mídia. Porque demonstra que a mídia em nossa sociedade não é imparcial e tem lado –e não é o nosso. Esse tipo de projeto, organizados pela sociedade civil (burguesa) é bem visto pela mídia. E a cada dia aumenta o número de Ong´s e projetos voltados a trabalhos sociais. Nenhum deles está voltado a transformar a sociedade a fundo, querem um trabalho social, mas são contra uma revolução social. Até porque na visão dos mais otimistas uma revolução social seria muito difícil da atual maré neoliberal. É mais vistoso seguir o caminho traçado por todos, e que todos acham bonito. Seja qual for o sentido, o caminho se faz caminhando. Muitos preferem ficar parados. Por isso eu prefiro Seguir na contramão...
Luciano Garcia |
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